![]() |
| Descrição para cegos: Sete tartarugas mortas em meio às algas marinhas e à rede de
pesca na praia do Caribessa, em João Pessoa. Foto: Kleber Filho |
Por Lucas Freitas
Na semana em que o Brasil celebrou o Dia Nacional dos Animais (14 de março), mais um crime ambiental foi cometido contra a fauna marinha em João Pessoa. No domingo (10), sete tartarugas marinhas foram encontradas mortas, presas em uma rede de pesca na praia do Caribessa.
Em nota
oficial, a ONG Tartarugas Urbanas – Guajiru, responsável pela proteção de
tartarugas no litoral paraibano, lamentou o ocorrido e atentou para o fato de
que redes de pesca são a causa mais comum de morte não natural de tartarugas
marinhas e que, “transformar esses espaços (áreas de corais e bancos de alga)
em Unidades de Conservação, é uma estratégia de restrição de uso para atividades humanas e consequentemente induz à
diminuição dos riscos para a fauna e a flora local”.
A Lei de
Crimes Ambientais em seu artigo nº32 diz que “Praticar ato de abuso,
maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados,
nativos ou exóticos” gera pena de detenção, de três meses a um ano, e multa,
podendo a pena ser agravada se ocorrer a morte do animal.
Segundo o Projeto
TAMAR, referência na proteção e desenvolvimento de pesquisas sobre tartarugas
marinhas no Brasil, as tartarugas exercem um papel ecológico de vital
importância e fazem parte de uma cadeia de relações ecológicas fundamental para
o desenvolvimento e sobrevivência de todo o ecossistema que inclui as praias,
as dunas e os oceanos. Elas são responsáveis pela movimentação de diferentes
nutrientes e energia, que garantem a sobrevivência de inúmeras formas de vida.
O Brasil tem
cerca de cinco espécies de tartarugas vivendo no seu litoral, que são: tartaruga-cabeçuda
(Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata),
tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys
olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Todas
espécies ameaçadas de extinção.
![]() |
| Descrição para cegos: A imagem mostra uma tartaruga deitada na areia, com uma rede de pesca perto de sua cabeça. Foto: Kleber Filho |
Além de sua
relevância para o meio em que vivem, a preservação das tartarugas também
interessa a nós, seres humanos. Quando extinguimos uma espécie, perdemos uma
série informações que poderiam ser geradas para formação de conhecimento, tanto
objetivo, como subjetivo.
Perdemos
informação genética, comportamental, indutiva, anatômica, que nos ajudam a
entender o funcionamento do planeta como um todo. Também perdermos informação
visual e inspiracional, que movem a admiração, a arte e a cultura, fundamentais
para o ser humano.
Não podemos
esquecer que os seres humanos são a única espécie, até então conhecida, que possui
uma preocupação moral. Temos o dever de evitar a extinção de certas espécies,
ainda mais quando somos os principais agentes extintores. É nossa
responsabilidade preservar a vida dos milhares de seres que habitam nosso
planeta e ter sensibilidade para entender as consequências da ação humana na
vida das outras espécies.
Se você
encontrar algum animal que esteja sofrendo qualquer tipo de violência,
denuncie! A denuncia pode ser feita em qualquer delegacia, comum ou
especializada, além do Ministério Público e do IBAMA. Você também pode conhecer
o trabalho da ONG Tartarugas Urbanas - Guajiru através de seu instagram
(@tartarugas_urbanas).


Nenhum comentário:
Postar um comentário